Mostrando postagens com marcador Indígenas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Indígenas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de maio de 2017

Exposição evidencia o cerrado e o patrimônio cultural dos povos Timbira

23.05.2017

Lukas Ramos  

Ação é uma parceria com a Prefeitura de Tocantinópolis

Com início nesta quarta-feira (24), no Câmpus de Tocantinópolis, a exposição "O Paiz Timbira" pretende divulgar e enaltecer o patrimônio cultural dos povos Timbira e a sua relação sustentável com o cerrado. A exposição segue até sexta-feira (26). O evento é promovido pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), do curso de Ciências Sociais em parceria com a Coordenação de Cultura da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis. 



A exposição contará com 40 cartazes, entre textos e fotografias, que demonstrarão o modo desses povos de ser e de se relacionar com o mundo. O professor de Ciências Sociais Wellington da Silva, que faz parte da equipe organizadora, conta que com o sucesso da primeira exposição em 2014 surgiu a iniciativa de trazê-la novamente, já que muitos alunos não tiveram acesso à primeira. “Achamos que o conhecimento dos povos Timbira possibilita o entendimento da própria história e cultura regional, que resulta, principalmente aos alunos não indígenas, na superação de preconceitos e estereótipos sobre os povos indígenas, especialmente aqueles que habitam e circulam por essa cidade”, explica.

Silva também menciona a importância dessa exposição para os alunos de licenciaturas. “O conhecimento trazido pela exposição também será útil para os futuros professores que sairão do Câmpus, pois o desafio de educar nas escolas indígenas exige um conhecimento mais aprofundado da história e cultura desses povos”, pontua.

A exposição encerrará na sexta-feira com a palestra “Povos Timbira: Reflexões sobre história e cultura”, às 16h. A palestra será proferida pelo professor Odair Giraldin, do colegiado de História, e por Cassiano Apinajé, professor da Escola Indígena Mãtyk. De acordo com Giraldin, a palestra abordará sobre a dificuldade existente no Brasil em incorporar valores culturais estéticos dos povos indígenas na cultura brasileira. “No Brasil, mesmo que digam que há uma mistura das matrizes africana, indígena e europeia, o que se vê na cultura brasileira é uma matriz europeia, pois no nosso país há discriminação contra os povos indígenas”, afirma.




Povos Timbira

Timbira é o nome que designa o conjunto de povos formados pelas etnias Krahô, Gavião-Pykobjê, Krikati, Apinajé, Canela-Apãniekra, Canela-Ramkokamekra, Kreje, Krepynkatejê, Gavião-Pàrcatejê. Os grupos Timbira estão localizados nos estados do Maranhão, Pará e Tocantins e podem ser identificados pelas suas características comuns, como a língua, o corte no cabelo, as rodelas auriculares, a aldeia circular e a corrida de toras. Atualmente, a população Timbira está numa estimativa de 10 mil pessoas, distribuídas em 63 aldeias e 7 terras indígenas.  (com informações do Livreto O Paiz Timbira, do Centro de Trabalho Indigenista e Centro Timbira de Ensino e Pesquisa Pënxwyj Hëmpejxà).

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Eventos nos câmpus da UFT debatem cotas, permanência, protagonismo e cultura indígenas

19.04.2017

Lukas Ramos, Caroline Falcão e Samuel Lima

Debates, rodas de conversas, visita a aldeia, mostra cultural e mesas-redondas em seminários tanto em Palmas quanto em Porto Nacional, movimentaram acadêmicos índios e não-índios nos câmpus da UFT durante o Dia do Índio, lembrado neste 19 de abril. No Câmpus de Arraias, no próximo dia 25, a temática continuará sendo debatida em uma roda de conversa sobre a questão indígena no Brasil - costumes e preconceitos, com uma acadêmica indígena do curso de Educação do Campo.

Em Palmas, o segundo dia do Seminário Desafios Indígenas, promovido pela Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (Proex), teve apresentação de demandas indígenas e diálogos com a gestão da UFT. O Seminário, que abordou os 12 anos de Política de Cotas na UFT, foi um espaço em que os alunos tiveram a oportunidade de apresentar suas experiências e, juntamente com a Universidade, encontrar maneiras de superar os desafios enfrentados por eles, segundo explicou o organizador do evento, professor Adriano Castorino.

Durante a manhã, em mesa composta pelo vice-reitor Bovolato, os pró-reitores Vânia Passos (Prograd) e Raphael Pimenta (Propesq) e o procurador da República Álvaro Manzano, ouviram relatos de participantes indígenas acerca das dificuldades ainda encontradas e relacionadas à permanência na Universidade.

Manzano, Bovolato, Vânia e Pimenta (e p/ d) durante Seminário em Palmas
(Foto: Samuel Lima/Dicom)

O estudante de Administração, Wagner Katamy Krahô-Kanela, falou sobre os desafios encontrados pelos alunos indígenas no decorrer da vida acadêmica. “Desde a entrada pelo Exame Nacional do Ensino Médio, o aluno indígena já encontra obstáculos, e durante o tempo que estamos na universidade passamos por dificuldades financeiras e falta de apoio”. O estudante também conta que espera que possam ser encontradas formas de apoio para os acadêmicos indígenas. “Esse momento de diálogo é necessário para que possamos obter avanços em relação ao apoio dado pela Universidade para os alunos indígenas, pois estamos longe de nossas aldeias e nossas culturas”, declarou Wagner.

Bovolato frisou, em sua fala, que são relevantes as contribuições apresentadas e que o debate acerca do tema precisa ser permanentemente internalizado, por toda a gestão. Vânia destacou o papel social da Universidade na formação superior também da população indígena e Pimenta anunciou que haverá boas novidades em relação à visibilização das pesquisas em torno das temáticas indígenas, no que concerne à sua pasta. O procurador Manzano destacou que a discussão no evento é importante - quanto ao papel da UFT na formação dos indígenas, o acesso e permanência - enfatizando que a Universidade precisa gerar instrumentos e condições para que os alunos não apenas entrem, mas que possam concluir o Ensino Superior.


Porto Nacional

No Câmpus de Porto Nacional, em outro Seminário organizado por acadêmicos indígenas, os assuntos envolvendo o protagonismo indígena, acesso e permanência na Universidade também foram a tônica das discussões. O evento contou, em sua abertura, com a participação do diretor do Câmpus, George França; o professor Odair Giraldin, professor da UFT doutor em Antropologia pela Unicamp; Ercivaldo Xerente, mestre em Direitos Humanos pela UFG; e o acadêmico de Relações Internacionais (Câmpus de Porto Nacional) e organizador do Seminário, Mairu Kuady.

Mesa-redonda de abertura do Seminário Indígena no Câmpus de Porto Nacional
(Foto: Divulgação Comunicação do Câmpus)

Além dos debates em mesas-redondas, o Seminário teve também oficinas de línguas e pinturas corporais, apresentações de trabalhos científicos e para o encerramento uma mostra de comidas típicas indígenas.

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (1).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (2).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (3).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (4).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (5).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (6).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (7).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (8).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (9).jpg

Seminário Indígena Porto Nacional _Divulgação Comunicação do Campus (10).jpg



Miracema

Professores e estudantes do Câmpus de Miracema fizeram uma visita ao Centro de Ensio Médio Indígena Xerente, na cidade vizinha, Tocantinínia, como parte de ações do projeto de extensão "Conhecer para reconhecer: rituais como afirmação sociocultural do povo Akwẽ- Xerente", coordenado pela professora  Rosemany Negreiros de Araújo, do curso de Serviço Social. A intenção foi aproximar a comunidade acadêmica da cultura indígena, fortalecendo os estudos e pesquisas voltados para a prática da interculturalidade.

Ritual indígena apresentado durante visita dos acadêmicos do Câmpus de Miracema
(Foto: Divulgação)

Segundo a vice-diretora do Câmpus, Micheli Burginski, que também participou da visita, os estudantes puderam refletir sobre o processo de abandono de hábitos e costumes culturais. A programação teve encenação de rituais, oficinas de desenhos e pinturas, danças e músicas. Ainda segundo a vice-diretora, o projeto de extensão deverá se tornar uma ação contínua do Câmpus, "com o objetivo de aprofundar laços de cooperação e de solidariedade para com as lutas e resistências do povo indígena", diz.

Acadêmico indígena - Serviço Social e Coordenadora do Projeto de Extensão, Rosemary Negreiros. (Foto: Liziane.jpg)

Indígenas apresentam material produzido em oficinas
(Foto: Liziane.jpg)

Indígenas participam de oficina junto com acadêmicos não indígenas. 
(Foto: Liziane.jpg)

 Ritual apresentado pelas indígenas.
(Foto: Liziane.jpg)

Ritual apresentado pelos indígenas.
(Foto: Liziane.jpg)


Gurupi

Em Gurupi, o Diretório Acadêmico do Câmpus, demandado e apoiado por acadêmicos indígenas, promoveu uma mostra de cultura indígena com uma roda de conversa sobre a Diversidade Cultural e os Desafios dos Estudantes Indígenas na UFT. A atividade foi desenvolvida no espaço de uma das cantinas do Câmpus.

Atividade no Câmpus de Gurupi envolveu acadêmicos índios e não-indios (Foto: Josevan Barbosa/Divulgação)

Marília Krahô-Kanela, uma das estudantes indígenas do Câmpus de Gurupi, destacou que o evento foi importante para que os acadêmicos não-índios possam perceber a cultura indígena e respeitar mais as diferenças. "Cada povo tem uma característica específica. O que importa, na verdade, não é nossa aparência, mas sim nossa essência". Segundo ela, ainda existe uma imagem estereotipada do indígena, e eventos como esse ajudam a quebrar esse paradigma. Confira mais fotos desta atividade aqui.


Arraias

No Câmpus de Arraias, a professora Noeci Carvalho Messias promove, na próxima terça-feira (25), uma Roda de Conversa com a aluna indígena Vanusa Xerente do curso de Educação do Campo. O debate ocorrerá na aula da disciplina Antropologia Cultura e Turismo do curso de Turismo Patrimonial e Ambiental, e tem como enfoque a questão indígena no Brasil - preconceitos e costumes.

"Conhecer um pouco da cultura, valorizar os costumes tradicionais e respeitar o povo indígena é uma das importantes questões a serem discutidas com a população," destaca Noeci. A Professora acrescenta que esses assuntos devem ser sempre debatidos na sociedade e a universidade é um espaço aberto para essa construção.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Educação Escolar Indígena Apinayé

02.09.2016

A Tese de Doutorado Educação Escolar Indígena Apinayé: tradição oral, interculturalidade e bilinguismo, foi apresentada por Witenbergue Gomes Zaparoli ao Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL). A banca foi composta pelos Professores Doutores Francisco Edwiges Albuquerque (orientador), Mazria José de Pinho, Rosária Helena Ruiz Nakashima e Joelma Cristina P. M. Alencar.

O trabalho discute  educação escolar bilíngue nas comunidades indígenas, com o objetivo de compreender o processo específico, diferenciado, intercultural e bilíngue dos Apinayé, povo indígena Macro-Jê, da escola Mãtyk, aldeia São José, de Tocantinópolis (TO).

O destaque é o uso da oralidade e escrita na educação, a interculturalidade e o caráter transdisciplinar da pesquisa, articulando ciências como Linguística, Educação e Antropologia, com uma abordagem exploratória de traço etnográfico-escolar, a partir de entrevistas a professores indígenas e não-indígenas, observação participante e diário de campo. A tese foi aprovada.

UFT lança primeiro livro de universitário indígena sobre cultura Karajá-Xambioá

02.09.2016

Aline Brito

A Universidade Federal do Tocantins lançará o primeiro livro organizado por um estudante indígena da Universidade. O lançamento será no sábado (3), às 9 horas, no Centro de Ensino Médio Indígena Karajá-Xambioá, em Santa Fé do Araguaia. Intitulado, “Aspectos históricos e culturais do povo Karajá-Xambioá”, o livro é de autoria do acadêmico Adriano Dias Gomes Karajá sob a orientação do professor Dr. Francisco Edwiges Albuquerque. 

O livro aborda os aspectos históricos, culturais e linguísticos da etnia Karajá-Xambioá, tais como cultura, mitos, lendas, pinturas corporais e receitas culinárias. Para o professor Edvigens, a publicação será um marco na história desse povo, principalmente porque foi produzido com a participação da comunidade indígena. “O livro será uma ferramenta muito importante para a educação escolar desse povo, visto que registra vários aspectos da cultura Xambioá”, complementa.


Adriano Karajá é estudante de Geografia do Câmpus de Araguaína, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica nas Ações Afirmativas (Pibic –AF) e orientando do professor Edvigens. O universitário também desenvolve pesquisas no Laboratório de Língua Indígena (LALI) da UFT. Adriano é o primeiro acadêmico indígena do Pibic a organizar um livro com seu orientador.  

Para Adriano, o livro surgiu como forma de desafio para registrar os aspectos históricos, socioculturais e linguísticos do povo Xambioá. “Este acervo trará para as escolas do povo Karajá-Xambioá uma excelente fonte de pesquisa, que irá auxiliar os professores indígenas e não indígenas nas salas de aulas, bem como também tem um papel importante para a comunidade”, acrescenta.

Lançamentos de publicações para a cultura indígena Krahô

02.09.2016

Aline Brito

As publicações direcionadas aos povos indígenas Krahô foram publicadas. Os livros Gramática Krahô, Ciências Krahô e Matemática Krahô foram lançados no dia 17 de agosto, na aldeia Manoel Alves Pequeno, em Goiatins (GO).


Lançamento dos livros na aldeia Manoel Alves Pequeno (Foto: divulgação)

Ciências Krahô – o livro reúne informações do mundo Krahô que apontam a relação entre as espécies e elementos da natureza em convivência com o homem. Os professores Krahô dispuseram um repertório de elementos capazes de ser discutidos à luz da disciplina Ciências, em uma apresentação que parte do que existe na mata, nas habitações, do que se alimentam, do que usam como recursos para curar doenças, bem como do que conhecem na cadeia da vida, acrescentando o que reconhecem como nocivo ao sentido da vida como as queimadas desordenadas e a poluição de rios e córregos. Deste inventário discutido e definido em português os professores dialogam sobre os temas que mais afligem a sobrevivência dos Krahô e repensam sobre as questões de preservação da vida entre os Krahô.



Gramática Krahô – a obra inaugura uma produção a partir de uma série de experiências de pesquisa e ensino voltados ao trabalho nas escolas Krahô, com vistas a interligar juntamente com os materiais de alfabetização e das disciplinas Geografia, História, Matemática e Ciências um acervo didático a partir das vivências do povo Krahô, as quais foram desenvolvidas sob os olhares dos professores indígenas.


A seleção dos conteúdos da Língua Krahô na gramática segue uma orientação de cunho normativo com base descritiva, em razão de os professores Krahô se sentirem mais seguros com a disposição de formas da língua em uma abordagem que parta das estruturas mais simples para as mais complexas, além disso, esses professores se sentem mais aptos a estabelecer comparações entre os construtos da língua krahô com os do português pela sequência de temas que já costumam tratar nos cursos de formação de professores e nas atividades cotidianas na escola.

Matemática Krahô – circunscreve conhecimentos matemáticos no campo da álgebra, geometria, além de outros campos que envolvem noções de espaço, dimensão e quantificadores. O livro de Matemática atinge mais uma conquista no sentido de alcançar por meio da reunião de conteúdos matemáticos selecionados ao longo das pesquisas junto ao povo Krahô. A publicação auxilia os professores no diálogo em sala de aula.